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Um em cada 20 filhos no País foram rejeitados ou são ignorados por seus pais

valores/reprodução/googleM. FLOR* -

São em número de 5,5 milhões os brasileiros que não têm o nome do pai na certidão de nascimento, mostrou em reportagem deste domingo o jornal O Estado de S.Paulo. Admito que eu pensava que fossem mais. Sem fazer força, consigo lembrar de sete amigos e familiares que têm traços no lugar do nome paterno no registro de nascimento. É muita gente: algo como um em cada vinte filhos neste País foram rejeitados ou são ignorados por seus pais.

É revoltante, mas não surpreendente. Culturalmente machistas como somos, nossa sociedade não chega a condenar de verdade um homem que simplesmente se recusa a assumir uma gravidez. Sexo todo mundo quer fazer, mas prevenir filhos indesejáveis ainda é um problema feminino. (Doenças sexualmente transmissíveis também. Já ouvi em conversa de transporte público um homem comentar que pegou sei lá qual doença “daquela cachorra, fácil daquele jeito só podia mesmo ter feito isso comigo”).

Não estou ignorando que existem mulheres que recorrem à reprodução independente, fazem sexo desprotegido com qualquer passante deliberadamente e depois vão cuidar da forma como bem entendem de um filho que o pai nem fica sabendo que existe. Igualmente desumano. Mas não creio que tais casos sejam maioria. Muito mais comum é o sujeito duvidar de que a criança seja mesmo sua.

Apenas como exemplo, a filha adolescente de uma amiga sabe desde pequena quem é seu pai, um fulano que até hoje briga na justiça para não reconhecer a paternidade alegando, entre muitos outros absurdos, que a amiga em questão transava com todo mundo quando ficou grávida, aos 18 anos. A estratégia? Faltar sistematicamente aos testes de DNA que há anos vêm sendo pedidos em juízo, e que a advogada dele, de uma forma ou de outra, sempre consegue driblar.

Bons pais

Há que se reconhecer que o mundo mudou bastante, também. Pais dos mais dedicados, que assumem a responsabilidade pelos rebentos em igualdade de condições com as mães, estão por toda parte. Mais que uma evolução de costumes, creio que seja também um reflexo de tempos em que os homens não precisam mais ser durões e provedores. Podem ser apenas humanos. Pagar as contas é problema de todo mundo, e isso é bom.

A esses, envolvidos de verdade com os filhos, presentes, emocionais, derretidos, chorões se for o caso, feliz dia dos pais, feliz vida.

 

* Saio de férias hoje, uma pausa necessária para reestruturar a mulher/profissional/puta mãe. Volto em setembro. Criança, comporte-se. Ou não.

reprodução/google*M.Flor é mãe de criança pequena e não acha que ficou menos interessante ou sexy por causa disso. Até gosta de falar sobre maternidade, mas prefere mesmo uma conversa de adulto. Adora ficção, acha que a vida não tem a menor graça sem fantasia e não promete falar sempre a verdade – mas tem, sim, pretensão de ser divertida.

Comments (1)

  • Elizete

    Há ainda os casos aonde os filhos são divorciados e esquecidos pelo pai quando o relacionamento deste com a mãe acaba. Não é raro ver crianças que só tem o pai na certidão de nascimento, ou pais que acham que a assistência financeira é tudo que lhes compete na criação dos filhos, contudo o pior caso é com certeza o do abandono afetivo, pois esse é um dano emocional e psicológico que dificilmente terá reparo.

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